Continuação:Enquanto a reunião avança, percebo algo estranho.Toda vez que ajeito o garoto no colo, passando a mão de leve por suas costas, ele relaxa. Quando me afasto um pouco, ele se mexe inquieto, os dedos apertando minha camisa, como se tivesse medo de cair.Franzo a testa.— Você já achou os pais dessa criança? — pergunto baixo ao segurança, sem desviar o olhar da mesa.— Ainda não, chefe. Ninguém apareceu perguntando por ele.Solto um suspiro contido.A reunião termina, e eu sigo direto para a próxima.E depois para outra.O garoto continua comigo o tempo todo. Não aceita colo de ninguém, não quer segurança, não quer secretária. Qualquer tentativa de tirá-lo de mim resulta em choro imediato.— Deixa — digo sempre. — Ele fica comigo.Em uma das reuniões, enquanto números e ameaças cruzam a mesa, sinto o peso do corpo dele ceder por completo.Ele dormiu.A cabeça apoiada no meu ombro, a respiração calma, os dedos ainda presos ao meu paletó.Fico imóvel por alguns segundos, encar
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