Continuação:A mansão dos Mendonça voltou a ter som. Não música alta, não risadas exageradas… Mas vozes ocupando espaços que, por muito tempo, ficaram vazios demais. Maria chegou com uma mala pequena e um olhar cansado. Não precisei dizer nada. Apenas mandei Dona Luísa levar Matias para o jardim e abracei minha amiga como quem segura alguém à beira de cair. — Fica quanto tempo quiser — falei. — Essa casa é grande demais pra uma pessoa só. Ela sorriu fraco. — Uma semana… só pra respirar. E foi exatamente isso que fizemos. Uma semana de almoços longos, conversas atravessadas pela madrugada, caminhadas pela propriedade, memórias antigas e silêncios que não precisavam ser explicados. Maria ajudava Matias a brincar, ria com Dona Luísa, e aos poucos a dor foi cedendo espaço para algo mais leve. Numa dessas noites, estávamos sentadas na sala menor, cada uma com uma taça de vinho, quando Maria parou de repente, os olhos grudados no celular. — Lis… — ela disse devagar. — Vo
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