224. Eu sou seu pai
AndréEu nunca achei que um caminho pudesse parecer tão longo. Mesmo com o carro já parado em frente ao portão do orfanato, eu não consigo sair, minhas mãos estão apoiadas nas pernas, inquietas, os dedos batendo sem ritmo, denunciando algo que eu não consigo esconder nem de mim mesmo. Não é só ansiedade, não é só expectativa… é medo. Laís desliga o carro ao meu lado, mas não se move imediatamente, ela me observa por um segundo, em silêncio, como se estivesse medindo exatamente até onde eu consigo ir sozinho e onde ela precisa entrar, então a mão dela encontra a minha, firme, quente, presente. "Calma, eu to aqui com você", ela diz baixo, e eu aceno, puxando o ar devagar, mesmo que pareça que ele não preenche nada aqui dentro. Eu sei que ela está ali, mas não consigo raciocinar direito."Eu tô com medo", admito, encarando o portão à nossa frente como se ele fosse maior do que realmente é, e ela aperta minha mão. "Eu sei, mas você não tá sozinho." Isso me faz olhar pra ela, e é o sufi
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