Saí do quarto, atravessei a sala de estar impessoal e abri a porta do apartamento. O som do fechamento atrás de mim foi como o selo final em um capítulo que, de repente, parecia incrivelmente desinteressante.No elevador, meu próprio reflexo no espelho de aço me encarou. Cabelo levemente desalinhado, olhos escuros, a marca de batom de um vermelho intenso no pescoço. Enfiei a ponta do dedo no canto da boca e esfreguei, limpando outro traço de batom. Depois, passei o lenço no pescoço, apagando aquilo tudo.Mas não conseguia apagar a outra.O carro parecia ainda mais silencioso na volta. Quando finalmente entrei na garagem de casa, o relógio marcava quase duas da manhã. A casa era um túmulo silencioso e subi as escadas, evitando olhar para o corredor que levava ao quarto dela. No meu banheiro, tomei outro banho, desta vez quente, esfregando a pele até ficar vermelha, tentando apagar não apenas os vestígios de Priscila, mas a sensação de que, de alguma forma, eu era o que havia saído
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