Helena ArisA marca dos dedos de Simon parecia queimar na minha bochecha longos minutos após o eco dos seus passos desaparecer pelo corredor do Salão do Conselho. O ar continuava pesado, impregnado pelo cheiro sulfuroso do pânico, pela poeira do mármore estilhaçado e pelo odor metálico do sangue que ele deixara para trás.Lá fora, o som de um motor potente rasgou o silêncio, o urro do escapamento sumindo na fumaça da tarde. Ele se fora. Mas o aviso que Simon deixara flutuando no ar não era um blefe; era uma promessa de guerra total. — Levanta daí, Damian! — a voz de Mikail cortou o recinto, desprovida de qualquer compaixão.No chão, Damian ainda arfava de joelhos, massageando o pescoço onde a marca da mão de Simon começava a ostentar um hematoma arroxeado, grotesco. Ele tentou se recompor, tossindo seco, os olhos marejados de pura vergonha enquanto ajustava a lapela do terno.— O miserável devia ter sido executado aqui mesmo! — rosnou Damian, a voz rouca e falhada pela traqueia esmag
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