O silêncio no quarto já não era o mesmo. Enquanto, a atmosfera era denso, quase sufocante, carregada de medo, de incertezas que ninguém ousava nomear. Agora, era diferente. Ainda pesada, ainda cheio de coisas não ditas, mas atravessado por algo novo: incredulidade. Como se todos ali estivessem apenas esperando que alguém dissesse que aquilo não era real. Mas era. Anderson estava acordado. Ele ainda segurava a mão da mãe, os dedos firmes, como se houvesse aprendido tarde demais o valor daquele contato. A senhora Silveira não se movia. Tinha medo de qualquer gesto quebrar o momento. Ao lado da cama, Elise se apoiava na lateral do colchão, o desenho preso entre as mãos pequenas. Já havia mostrado três vezes. Já haviam elogiado três vezes. Ainda assim, ela sorria como se fosse a primeira. E, de certa forma, era. Anderson observou a cena em silêncio por alguns segundos. Então, com um esforço visível, deixou escapar um sorriso cansado. — A noiva já cortou o bolo? — o questionamento veio
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