Elara percebeu que havia perdido algo antes mesmo de alguém dizer em voz alta.Foi na forma como a sala a recebeu — não com silêncio, mas com uma atenção diferente, afiada demais. Não havia hostilidade aberta, tampouco apoio. Apenas aquele olhar calculado que pesa, mede e já decidiu metade da sentença. O conselho não a chamara para ouvir explicações. Chamara para registrar um deslocamento.Ela se sentou com a postura intacta, mãos apoiadas na mesa de vidro, coluna ereta. Por fora, controle. Por dentro, uma exaustão densa, antiga, como se cada escolha dos últimos meses tivesse finalmente se materializado em algo palpável demais para ser ignorado.— Antes de começarmos — disse o presidente do conselho, sem levantar a voz —, quero deixar claro que esta reunião não trata de culpa direta.Claro. Tratava de consequência.O vazamento ainda era chamado assim. “Vazamento”. Uma palavra neutra para algo que havia se infiltrado nas engrenagens certas, no momento exato. Não expôs tudo. Não destrui
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