O dia ainda nem tinha nascido quando as batidas na porta arrancaram Enzo do sono de forma brusca, seca, sem espaço para qualquer ilusão de normalidade. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, o ar pesado daquele silêncio que antecede o amanhecer, e, por um instante, ele permaneceu imóvel, tentando reconhecer se aquilo era real ou apenas o cansaço dos últimos dias cobrando mais uma conta.As batidas vieram novamente.Mais firmes.Mais urgentes.— Senhor…A voz de Dario atravessou a porta com um tom baixo, mas carregado de algo que não combinava com aquela manhã.Enzo passou a mão pelo rosto, já sentindo, antes mesmo de abrir a porta, que o dia não seguiria o roteiro planejado. Levantou-se sem pressa aparente, vestindo a primeira camisa que encontrou pelo caminho, mas havia algo no modo como seus movimentos se tornaram mais precisos, mais contidos, que denunciava uma mudança interna imediata.Quando abriu a porta, encontrou Dario ali, completamente desperto, o semblante sério dema
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