A primeira coisa que voltou foi o som. Um bip constante, ritmado, distante… como se estivesse vindo de muito longe. Depois veio o peso no corpo. Os braços pesados, as pálpebras difíceis de abrir, a respiração lenta demais para alguém que, poucas horas antes, estava em pé, gritando, destruindo tudo.Valentina abriu os olhos.A luz branca do teto a atingiu de imediato, fazendo-a franzir a testa. O ambiente era estranho, limpo demais, silencioso demais. O cheiro de antisséptico veio logo em seguida, confirmando o que o corpo já começava a entender antes mesmo da mente acompanhar.Hospital.Ela tentou se levantar.Rápido demais.O mundo girou.O braço puxou involuntariamente, e o soro preso à veia tensionou, fazendo-a levar a outra mão até ele, num impulso de arrancar aquilo de uma vez.— Valentina, não faz isso.A voz veio firme, mas baixa.Enzo.Ele estava ao lado da cama antes mesmo que ela conseguisse terminar o movimento, segurando suavemente o pulso dela para impedir que tirasse o a
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