A semana tinha transformado Valentina em manchete, em símbolo, em alvo e em arma ao mesmo tempo. Do lado de fora, o país inteiro discutia seu nome, seu casamento, sua denúncia e a queda de Rafael Montenegro como se tudo aquilo fosse apenas mais um espetáculo a ser consumido entre um café e outro. Mas, do lado de dentro, longe das câmeras, o que existia era outra coisa. Era cansaço. Era náusea. Era uma exaustão emocional tão profunda que às vezes ela sentia como se o próprio corpo estivesse lutando para não desligar.Naquela tarde, o quarto estava silencioso demais quando ela se sentou na poltrona perto da janela, com uma pasta aberta no colo e os olhos perdidos em palavras que já não entravam de verdade. As provas contra Rafael estavam ali, organizadas, numeradas, marcadas com post-its e anotações. Tudo parecia sólido. Convincente. Irrefutável. E, ainda assim, olhar para aquilo por tempo demais fazia alguma coisa dentro dela apertar, como se até a vingança cobrasse um preço.A batida
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