O peso não tinha desaparecido. Mas já não a dominava. Havia uma diferença clara, não abrupta, não milagrosa, mas consistente. Como se, aos poucos, alguém tivesse aberto uma janela dentro dela e deixado entrar ar suficiente para que conseguisse voltar a respirar sem esforço. Darya acordou lentamente, sem sobressaltos, sem aquela urgência interna de fugir de si própria. Ficou deitada por alguns instantes, imóvel, a olhar para o teto claro do quarto. O silêncio à sua volta já não era opressor. Não carregava tensão, nem expectativa, nem medo. Era apenas silêncio. E isso, naquele momento, era suficiente. A decisão que tomara nos últimos dias, o divórcio, a medida protetiva, não tinha resolvido tudo. Não apagava Matteo, não apagava o que viveram, nem a dor que ainda existia. Mas tinha criado algo essencial. Distância. E dentro dessa distância… havia espaço. Espaço para pensar. Espaço para existir. Espaço para reconstruir. A respiração dela tornou-se mais profunda, mais consciente. Sem pres
Ler mais