O motorista arrancou sem hesitar. Durante o percurso, o silêncio instalou-se de forma densa. A cidade movia-se do outro lado do vidro, pessoas, carros, sinais luminosos, tudo a seguir o seu curso habitual, completamente alheio à sensação de aperto que crescia dentro dela. Darya manteve o olhar fixo na janela, mas não estava realmente a ver nada; a mão fechava-se ligeiramente em torno do telemóvel, como se aquele pequeno objeto fosse o último ponto de ancoragem disponível. Quando o carro finalmente parou, demorou alguns segundos antes de sair. A casa estava exatamente como a tinha deixado: impecável, organizada, silenciosa. E, ainda assim, havia algo profundamente errado naquela normalidade. Entrou sem dizer nada a ninguém, sem abrandar o passo, atravessando o hall como se já soubesse exatamente onde ia encontrar o que procurava. A sala estava à sua frente. E ele estava lá. Sentado, numa postura relaxada demais para alguém que claramente antecipava aquele momento. O olhar ergueu-se n
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