NIKOLAI VOLKOVBeijei o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro que tanto amava — agora misturado com o suor ácido da febre. Minha mão desceu para sua barriga, tocando os gêmeos através do tecido fino do vestido.Eles se moveram. Chutaram. Como se sentissem meu toque, como se soubessem que o pai estava ali.— Vocês também estão sentindo, não é? — sussurrei, acariciando a barriga em círculos lentos. — Papai está aqui. Papai não vai deixar nada acontecer com a mamãe.Os bebês se acalmaram sob meu toque. E por um momento, naquele quarto escuro, com o corpo dela nos meus braços e a vida dos nossos filhos pulsando entre nós, consegui esquecer as fotos. Esquecer as acusações. Esquecer a fúria.Só existia ela. Nós. O amor que eu tentava negar, mas que estava lá, pulsando mais forte do que qualquer mentira.Ao amanhecer, a febre dela baixou. A respiração ficou mais tranquila, a cor voltou lentamente ao rosto. O Dr. Petrov entrou, verificou os sinais, e acenou com aprovação.— A crise passou, P
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