“Quem não aceita perder aprende a atacar nos sonhos.”Clara acordou com um grito preso na garganta.O corpo inteiro se projetou para frente, o ar entrou nos pulmões de forma errada, curta, dolorida. As mãos foram direto ao ventre, num reflexo instintivo, desesperado, como se precisasse confirmar que ainda estavam ali. Que não tinha sido tarde demais.— Não… — sussurrou, antes mesmo de entender onde estava.O quarto estava escuro. Silencioso demais. Apenas a luz baixa do abajur no canto e o som distante da chuva fina batendo contra o vidro da janela. O relógio digital marcava 3h17.Clara tremia, mas não era de frio, era memória. O sonho ainda estava inteiro demais dentro dela, como se tivesse acontecido segundos antes, ou como se ainda estivesse acontecendo.No sonho, o quarto estava claro. Bonito demais. Os berços lado a lado, impecáveis. Clara lembrava da sensação exata de felicidade antes da quebra. Daquele segundo raro em que tudo parecia seguro.E então Isadora entrou.Não pela p
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