“Fugir não é ir embora. É escolher quando voltar.”O aeroporto não era o principal, e isso havia sido proposital. Isadora aprendeu cedo que os grandes gestos são para palco, não para fuga. Para desaparecer de verdade, era preciso usar saídas menores, voos menos óbvios, destinos que ninguém associa de imediato ao poder.Ela caminhava pelo saguão com a naturalidade de quem já decorou o próprio disfarce. O cabelo, antes perfeitamente tratado em salões específicos, agora estava preso em um rabo despretensioso, com um tom um pouco mais claro. As lentes de contato mudavam a cor dos olhos. A maquiagem era quase nenhuma, o suficiente para corrigir, não para destacar.Roupas simples. Jeans, tênis, uma jaqueta clara. Uma mala média, nada de marcas gritantes. No passaporte, outro nome. Outro país de origem. Outro histórico.A funcionária da companhia aérea sorriu por obrigação.— Documento, por favor.Isadora entregou o passaporte falso com a calma de quem já testou aquele objeto dez vezes na me
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