Senti o ar faltar de verdade — não como metáfora, mas como reação física. Meu peito apertou, a visão escureceu nas bordas, e por um segundo achei que fosse desmaiar ali mesmo, sentada no chão frio daquele corredor que agora parecia estreito demais para conter tudo o que eu acabara de ouvir.— Ela tentou matar os filhos dela duas vezes! — a voz da Emma ecoou, aguda, carregada de revolta. — Duas vezes, Matthew! E você ficou calado!O silêncio que se seguiu foi cruel. Não um silêncio vazio, mas um silêncio pesado, culpado.— Ela só tentou… — ele começou, a voz fraca, defensiva, quase infantil, como se as palavras pudessem suavizar o horror do que dizia.Emma deu um passo à frente — eu ouvi pelo som seco do salto no mármore.— Só tentou?! — ela explodiu. — Você tá se ouvindo? “Só tentou”? — a risada que escapou dela não tinha humor algum, era pura incredulidade. — Você virou cúmplice. Cúmplice, Matthew. Por medo, por conveniência, por inveja… não importa o motivo.Foi nesse instante que a
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