Um Baile Particular O som do violão ecoa pela varanda como se a noite inteira respirasse junto. Henrique termina de afinar as cordas, observando Letícia arrumar o cabelo diante do espelho antigo da sala. A luz morna da lamparina realça os fios soltos, e ele se pergunta pela centésima vez como algo tão simples pode ser tão bonito. Na fazenda, não havia bailes luxuosos nem vestidos de gala, mas naquela noite, os trabalhadores decidiram fazer uma festa improvisada no celeiro. Um “baile de vizinhança”, como chamavam. Música, risadas, cheiro de comida e o chão de terra batida servindo de pista de dança. Laura, vestida com um pequeno vestido azul que Letícia costurou, corre pela sala segurando um pedaço de fita. — Dança, mamãe! Ela grita, tropeçando nos próprios pés, arrancando gargalhadas dos dois. Henrique se aproxima, pega a filha no colo e a gira no ar. O riso dela é puro, uma melodia viva que enche a casa de calor. — Você é a mais animada desse baile, sabia? Diz ele,
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