Finais de Tarde e Conversas ProfundasO fim de tarde na fazenda sempre traz um tipo de silêncio que Henrique aprendeu a valorizar. Não é ausência de som, é presença de calma. O mugido distante do gado, o coaxar dos sapos no brejo, o estalar de folhas sob o vento, tudo parece sincronizado para lembrá-lo de que a vida, às vezes, é simples.E ele, que sempre buscou o controle, o ritmo, a pressa, agora se vê desacelerando para ouvir o som da paz.Do alpendre, observa Letícia no gramado, com Laura brincando entre os pés dela. O vestido leve balança, e o cabelo solto brilha sob os últimos raios do sol. Laura tenta empilhar pedrinhas e se irrita quando tudo desmorona, batendo palminhas com raiva. Letícia ri, paciente, e tenta ajudá-la, e a cena é tão cotidiana, tão singela, que o peito de Henrique se aperta.Ele se pergunta, baixinho, em que momento aquilo se tornou essencial.Em que instante o olhar de Letícia passou a ser lar.Desce os degraus devagar, sentindo o chão quente sob as bo
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