O último pedaço de bolo desapareceu da caixa e Leandra lambeu o canto dos lábios como uma criança satisfeita, antes de largar o garfo ao lado da embalagem vazia. Eu ri baixo, observando o brilho preguiçoso nos olhos dela — aquele brilho que ela sempre tinha quando estava completamente relaxada, segura, tranquila. O tipo de serenidade que eu queria que ela tivesse todos os dias da vida.Por alguns instantes, ficamos apenas ali, lado a lado, sem dizer nada. O silêncio não era desconfortável; pelo contrário, era aquele tipo de silêncio cheio de presença, de coisas não ditas que não precisavam ser traduzidas. O sol já estava mais baixo, tingindo o céu com um laranja suave que refletia na água da piscina. O movimento dos pés dela criava pequenos círculos na superfície, e o som leve da água me fazia esquecer, por um instante, que existia um mundo lá fora tentando nos arrancar essa paz.Ela respirou fundo, apoiando as mãos atrás do corpo e inclinando-se um pouco para trás. Depois, lentamente
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