YanaFiquei parada diante do espelho do meu quarto por tempo demais. O cômodo estava em um silêncio completo, mas dentro de mim tudo gritava.Observei-me com calma, como quem analisa algo que não gosta, algo que tenta entender onde foi que deu errado. Os meus seios eram grandes demais, pesados, caídos de um jeito que me fazia sentir desajeitada e esquisita. Sempre achei que eles chamavam atenção demais pelas ruas — uma atenção que eu nunca quis receber. Meus braços eram gordinhos, largos, sem definição alguma, e eu os mantinha colados ao corpo quase por reflexo, como se, fazendo isso, eu pudesse escondê-los do mundo.A minha barriga era avantajada, um pouco flácida. Não era firme, não era bonita como a das mulheres das revistas. Era ali que eu sentia o peso físico de tudo o que vivi. Meu rosto era redondo demais, macio demais, com traços infantis demais para alguém que já tinha visto o inferno de perto cedo. Meus olhos eram verdes. Eu sabia disso. Mas mal dava para vê-los atrás dos ócu
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