Inácio HallO galpão está mais silencioso do que nunca. Nem os homens falam. Nem August. Nem eu. É como se o ar tivesse se tornado sólido, uma massa pesada que todos nós somos obrigados a carregar. Todos sabem que hoje algo termina. Ou talvez, tudo termine.Empurro a porta. O rangido do metal ecoa como um lamento fúnebre. O cheiro lá dentro é insuportável — uma mistura de ferro, suor e decomposição — mas meus sentidos já estão anestesiados. Nada mais me alcança.X9 ainda está lá, ou o que restou dele. As correntes o mantêm em uma posição grotesca, mas a vida já não habita mais aquele corpo com vontade. A cabeça pende, os olhos estão semicerrados, e a respiração é tão rasa que o silêncio parece vencê-la.Caminho até ele. Cada passo é uma sentença. Paro a poucos centímetros. Espero.Um segundo. Dois.Sentindo minha presença, ele faz um esforço sobre-humano para erguer a cabeça. Seus olhos me encontram. Não há mais desafio, não há mais a arrogância do traidor. Existe apenas um pedido mud
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