Os dias que se seguiram foram estranhos.Helena acordava cedo, fazia o café, levava Luna para a escola, voltava para casa. Abria o laptop, respondia e-mails, assinava documentos que Camille enviava, participava de reuniões por vídeo com a voz firme e a expressão profissional que havia aprendido a usar como armadura. Por fora, tudo funcionava. Por dentro, havia algo que não estava no lugar, como um instrumento levemente desafinado que ninguém mais percebia, mas que ela ouvia em cada nota.Adrian percebia. Claro que percebia.Não disse nada nos primeiros dias, dando a ela o espaço que sabia que ela precisava antes de estar pronta para nomear as coisas. Mas Helena via nos pequenos gestos dele — o café já pronto quando ela descia, a mão pousada nas costas dela quando passava por trás, o jeito como ele ficava um pouco mais perto do que o normal sem fazer disso um peso — que ele estava atento, presente, esperando.Foi na quinta-feira, quando voltaram do exame obstétrico, que ele finalmente
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