Helena passou a manhã seguinte em casa, fingindo normalidade.Fez o café, arrumou as tranças de Luna, ouviu a menina recitar a música que estava aprendendo na escola como se fosse a coisa mais importante do mundo — e era, de certa forma. Era exatamente o tipo de coisa que Helena precisava ouvir para não deixar o medo engolir tudo. Quando o carro da escola sumiu na esquina, ela ficou parada na varanda por alguns minutos, o vento frio de Oxford cortando o rosto, e só então deixou o ar sair devagar pelos pulmões.Victor Langford sabia o nome da filha dela.Aquilo não saía da cabeça. Não era só uma ameaça vaga, era uma mensagem precisa, cirúrgica. Ele não precisou levantar a voz nem bater na mesa. Apenas disse o nome de Luna como quem lê uma linha qualquer de um contrato, e isso foi suficiente para deixar Helena acordada até as três da manhã, ouvindo cada barulho da casa.Entrou, lavou a xícara do café, e estava prestes a subir para o escritório quando o interfone tocou.Ela hesitou. Não
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