O último acorde ainda vibrava no ar quando a plateia se levantou.Helena baixou o arco devagar, sentindo o calor das luzes sobre os ombros, o suor leve na nuca, aquela exaustão particular que só vem de entregar tudo que se tem num palco. Ao lado dela, os outros três músicos se curvavam para o público, e ela fez o mesmo — cabeça baixando, olhos fechando por um segundo, o aplauso chegando como uma onda física que ela sentia no peito.Quando ergueu o rosto, encontrou Adrian na terceira fila.Ele estava de pé como todos os outros, mas ela o teria encontrado mesmo se estivesse sentado no fundo da sala. Era sempre assim — num ambiente cheio de gente, os olhos dela o encontravam com uma naturalidade que havia deixado de surpreendê-la anos atrás. Ele aplaudia com aquela expressão que ela conhecia bem, a que ele reservava só para ela nesses momentos — orgulho misturado com algo mais íntimo, mais particular, que não tinha nome exato mas que ela sentia até da terceira fila.Curvou-se mais uma ve
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