A promessa veio fácil, natural. — Não vou, logo eu marco. Prometo.Me despedi com outro abraço em Eduardo, mais cuidadoso, e beijos nos meus pais. Saí do apartamento com o coração muito mais leve do que entrei. O quentinho no peito era a reconciliação, a sensação de ter minha família de volta.Mas, ao entrar no carro sozinha, no silêncio da noite, outro calor, completamente diferente, percorreu meu corpo. Um frio gostoso na barriga, a lembrança das mãos do Rafael na minha pele, do sabor dele, da urgência daquilo tudo. A culpa tentou sussurrar, mas foi abafada por um desejo profundo e perigoso. Eu não sabia o que era aquilo, nem o que ia acontecer amanhã. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti viva, assustada, e totalmente, completamente, sem volta.***A sala da psicóloga era um lugar calmo, cheio de brinquedos de madeira, livros coloridos e almofadas macias no chão. Um mundo pensado para suavizar as tempestades infantis. Mas hoje, o ar dentro dela parecia carregado.
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