O Fórum Central estava impregnado de uma tensão sufocante. No banco dos réus, Alexandre mantinha a coluna ereta, mas seus olhos queimavam em direção a Clarice, que ocupava a primeira fila da plateia com um sorriso de vitória silenciosa.O Juiz de Direito, Dr. Menezes, bateu o martelo.— Sra. Lídia Bittencourt, queira se aproximar para o seu depoimento.Lídia caminhou até o púlpito. Ela estava pálida, com as mãos escondidas sob a mesa para ocultar o tremor. Clarice a encarava com um olhar de "lembre-se do Jacob", um aviso de morte disfarçado de preocupação maternal.— Sra. Bittencourt — começou o promotor. — Confirma que, na noite do incidente, o seu marido, Alexandre Bittencourt, a agrediu fisicamente, resultando nas lesões documentadas no laudo médico?Lídia abriu a boca. O silêncio na sala era tão denso que se podia ouvir a respiração de Alexandre.— Não — a voz de Lídia saiu fraca, mas audível.Clarice endireitou as costas, os olhos faiscando.— Repita, por favor — solicitou o juiz
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