32.1. A Ilusão do Alivio
*Ponto de Vista de Dona Rosa(mãe de Ester)* O corredor do hospital tinha aquele cheiro de éter e silêncio que, para uma mãe, é o perfume do desespero. Eu, Rosa, que sempre me orgulhei de ter mãos fortes para o trabalho e um colo pronto para o consolo, sentia-me, pela primeira vez, absolutamente impotente. Ver Ester naquela cama, cercada por fios e bips constantes, era como ter um pedaço do meu próprio corpo arrancado e colocado sob luzes fluorescentes. Quando o acidente aconteceu, o mundo parou. Eu não vi a batida, mas sinto que senti o impacto no meu peito no exato momento em que o metal se retorceu na estrada. Adam, o rapaz que eu aprendi a ver como o porto seguro da minha filha, estava lá. Ele sangrava, ele gritava o nome dela, ele estava quebrado por dentro e por fora. Mas Ester... Ester estava no abismo do silêncio. Foram dois dias de coma. Dois dias em que eu não dormi, não comi e mal respirei. Rezei todas as orações que minha avó me ensinou e algumas que inventei na hora da
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