AmirNunca imaginei que andar pelo mercado central seria tão cansativo. O sol do meio-dia queimava, e cada passo entre as barracas era um desafio. Minha garganta já estava seca, mas eu continuava gritando para chamar os clientes:Amir: Chá gelado! Água fresca! Tâmaras doces! Aproveitem!Passavam senhoras com véus coloridos, homens discutindo preços, crianças correndo entre as carroças. Às vezes, eu via garotas bonitas, cheias de ouro nos pulsos e no pescoço, mas quando olhavam pra mim, logo desviavam o olhar. Para elas, eu era só mais um ambulante, alguém invisível no meio da multidão.Minha irmã nunca ia entender o que era esse corre. Nayla era orgulhosa demais, vivia falando de honestidade, de dignidade. Mas eu? Eu só queria dar um jeito de ser notado, mesmo que fosse por pouco tempo. Admito: peguei dinheiro dela, menti sobre trabalhos da escola, gastei tudo tentando impressionar alguém. No fundo, eu sabia que estava errado, mas também sabia que, sem dinheiro, ninguém respeita ningu
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