466. Parecia um castigo
Gabrielle Goldman Eu não queria estar ali. Cada fibra do meu corpo gritava por fuga, por distância, por qualquer coisa que me afastasse daquela presença sufocante. Eu queria correr, atravessar aquela porta, descer aquelas escadas e nunca mais voltar, nunca mais olhar para trás. Mas, ainda assim, havia algo profundamente errado dentro de mim — uma parte racional que compreendia o jogo, que calculava cada movimento… e outra, muito mais perturbadora, que reagia ao toque dele, que estremecia, que reconhecia. Era como se minha mente e meu corpo travassem uma guerra silenciosa, e eu estivesse perdendo em ambos os lados. Senti o tecido deslizar sobre meus olhos antes mesmo de perceber o que ele fazia. A venda era macia, quase gentil em contraste com tudo o que ele representava. Tão leve que, por um segundo, parecia inofensiva. Mas não era. Nada nele era. Meus dedos se contraíram, um impulso quase desesperado de arrancá-la dali, de recuperar qualquer controle que ainda me restasse.
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