Naquela manhã, o sol mal havia despontado quando Clara ouviu uma batida suave na porta. O som, discreto demais para aquele horário, fez seu corpo se enrijecer de imediato. Ela não esperava ninguém. Caminhou até a entrada com o coração acelerado e abriu a porta. Suzana estava ali. Impecável como sempre, postura ereta, roupas escolhidas com precisão quase cirúrgica. O olhar, no entanto, ia além da frieza habitual — havia nele uma calma perigosa, como quem já sabe o desfecho antes mesmo da conversa começar. — Podemos conversar, Clara? — perguntou, com uma doçura ensaiada. Clara hesitou apenas por um segundo. Sabia que recusar não era uma opção real. Deu passagem, e, como se fosse um ritual silencioso, as duas seguiram até a varanda. Suzana gostava daquele espaço. Longe de ouvidos curiosos. Longe de testemunhas. Ou assim acreditava. — O que você quer agora? — perguntou Clara, sem conseguir disfarçar o cansaço na voz. Suzana sorriu de leve, satisfeita. — Vim apenas te lembrar de que
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