Seis meses depois da morte de Declan O’Connor, a mansão dos Mikhailov-Brec parecia ter reencontrado seu ritmo — não o ritmo frenético de antes, mas um novo, mais suave, mais vivo. O inverno havia dado lugar à primavera, e o jardim que Audreen e eu cuidávamos juntas explodia em cores: rosas vermelhas, lírios brancos, margaridas amarelas. Cada flor parecia uma pequena vitória contra a escuridão que quase nos engoliu.Eu acordava todas as manhãs com o corpo de Killian colado ao meu. Ele ainda dormia com um braço ao redor da minha cintura, protetor mesmo no sono. O ferimento no braço dele tinha cicatrizado completamente, deixando apenas uma linha fina e prateada que eu beijava todas as noites, como um ritual particular.Naquela manhã, o sol entrava pela janela, dourando a pele dele. Eu me virei devagar e fiquei observando-o: os cílios longos, o maxilar relaxado, o peito subindo e descendo em um ritmo calmo. Ele abriu os olhos devagar e sorriu daquele jeito preguiçoso que ainda fazia meu c
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