Aurora
A confiança não volta de uma vez. Ela vem em pedacinhos pequenos, quase invisíveis, como quando a gente monta um quebra-cabeça sem a tampa da caixa e precisa acreditar que, em algum momento, a peça certa vai aparecer. Às vezes aparece. Às vezes demora. Mas aparece.
No começo, eu testava.
Testava se a porta realmente ficava aberta ou se alguém ia fechar de repente. Se a voz continuava igual ou se mudava do nada, ficando dura. E se um abraço continuava sendo abraço até o fim, sem aperta