Capítulo 4
Isabela empalideceu e cravou as unhas nas palmas das mãos.

Não imaginava que os boatos tivessem chegado àquele ponto.

Para aquelas pessoas, ela tinha se tornado alguém desprezível.

Virou para ir embora, mas algumas moças de famílias ricas bloquearam sua passagem.

— Já vai? A festa mal começou.

— Fica aqui e se diverte com a gente.

De repente, alguém empurrou Isabela de propósito para dentro da piscina.

A água gelada cobriu seu corpo em um instante e entrou pelo nariz.

Isabela se debateu por instinto, tentando desesperadamente se agarrar à parede da piscina para sair.

Quando estava quase alcançando a borda, uma mão empurrou sua cabeça para baixo.

— Socorro... Me ajuda...

— Ninguém vai ajudar você! Sabe quantas mulheres queriam se casar com Pedro? Ele ama tanto você, dá mais valor à sua vida do que à dele, e é assim que você retribui? Uma vagabunda como você merece morrer aqui!

A água entrou pelo nariz de Isabela, e sua visão começou a escurecer.

Ainda assim, aquelas palavras doíam mais do que a própria falta de ar.

Ela era uma vagabunda? Pedro amava Isabela mais do que a própria vida?

Que piada.

— O que vocês estão fazendo?!

Ao som daquele grito furioso, a mão que mantinha sua cabeça debaixo d’água se afastou.

Com a visão embaçada, Isabela viu Pedro correr até ela, desesperado.

Só teve vontade de rir.

Por que ele estava tão assustado?

Não tinha sido o próprio Pedro quem tinha colocado ela naquela situação?

Pedro tirou Isabela da água e berrou para as pessoas ao redor:

— Vocês enlouqueceram? Como ousam fazer isso com a minha esposa?

— Sr. Pedro, a gente só não aguenta ver ela traindo você...

— Chega!

Mais uma vez, Pedro não contou a verdade.

Apenas declarou, com frieza:

— Mesmo que Isabela esteja grávida do sequestrador, ela é a única mulher que eu amo. E isso nunca vai mudar!

As pessoas ao redor começaram a comentar, admiradas com a intensidade daquele amor.

Em meio aos elogios, Pedro saiu carregando Isabela, encharcada.

Em uma sala reservada, pegou uma toalha seca e começou a enxugar o cabelo dela.

Pedro falou com ternura:

— Isabela, sei que você está sofrendo. A culpa é minha. Prometo que isso nunca mais vai acontecer. Aguenta só mais um pouco. Assim que Beatriz tiver o bebê, vou mandar ela para fora do país. Aí tudo vai voltar a ser como antes, está bem?

"Não. Não podemos voltar ao que éramos. E também não existe mais um futuro para nós."

Exausta, Isabela respondeu:

— Quero ir para casa.

Pedro hesitou.

— A festa ainda não acabou. Não fica bem nós dois sairmos agora. Vou pedir para o motorista levar você. Daqui a pouco eu volto para ficar com você. Pode ser?

Não ficava bem, ou ele não queria deixar Beatriz sozinha?

Isabela soltou uma risada curta.

Já não tinha forças para desmascarar aquela desculpa.

Apenas se levantou e foi embora.

Assim que chegou à mansão, começou a arrumar as malas.

Guardou seus pertences, apagando aos poucos os vestígios de sua presença naquela casa.

Não sabia quanto tempo tinha passado quando fechou a última mala e ouviu a porta de entrada se abrir.

Ao ver todas aquelas malas espalhadas, Pedro sentiu um aperto no peito.

— Por que está fazendo as malas assim, do nada? Para onde você vai?

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