Capítulo 2
— Eu...

Isabela deu um sorriso irônico.

Estava prestes a contar que tinha ido ao hospital fazer um aborto quando Beatriz se aproximou depressa e segurou seu braço com intimidade.

— Isabela também está grávida. É claro que veio fazer o pré-natal!

Beatriz abriu um sorriso doce, mas assumiu uma expressão culpada ao se voltar para Isabela.

— Desculpa por ocupar tanto o Pedro... É que, depois do que aconteceu comigo, estou muito abalada emocionalmente. Se ainda descobrirem que estou esperando um bebê do sequestrador, eu não vou aguentar...

Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Não tive escolha. Precisei pedir para Pedro assumir o bebê. Se você me odeia tanto assim, pode bater em mim!

Antes que Isabela respondesse, Pedro interveio, sensibilizado:

— Não fala bobagem. Já conversei com Isabela. Daqui a pouco esses comentários acabam. Ela é compreensiva, não vai se importar.

Isabela fechou os olhos por um instante.

"Sim, sou muito compreensiva. Já estou até me divorciando para deixar Pedro livre, assim vocês finalmente podem formar uma família com esse bebê."

Concordou com calma:

— É, eu não me importo.

Só então Beatriz sorriu em meio às lágrimas.

— Que bom. Eu ia me sentir muito culpada.

Ela apertou ainda mais o braço de Isabela.

— Já que nos encontramos, vamos comer alguma coisa juntos?

Isabela queria recusar, mas estava sem forças depois do procedimento.

Acabou sendo praticamente arrastada por Beatriz.

No restaurante, Beatriz não sossegou um instante.

— Pedro, esse cheiro está horrível. Estou com vontade de vomitar... Queria alguma coisa azedinha, mas isso aqui está apimentado demais...

Pedro cuidava de Beatriz com toda a paciência, oferecendo água e passando a mão nas costas dela.

Isabela observava em silêncio.

O corpo inteiro doía tanto que mal conseguia respirar.

Já não sabia se sofria por causa do procedimento ou da cena diante de seus olhos.

No meio da refeição, o lustre acima deles estalou de repente e despencou na direção de Pedro.

— Pedro, cuidado!

Beatriz gritou e se jogou sobre ele.

O lustre atingiu suas costas, espalhando cacos de vidro por toda parte.

Pedro perdeu a cor.

Ele chamou, com a voz trêmula:

— Beatriz!

Enfraquecida, ela se apoiou nos braços dele e estendeu a mão ensanguentada.

— O importante é que você está bem... Meu avô salvou o seu. Agora foi minha vez de salvar você...

— Eu não vou deixar nada acontecer com você!

Com os olhos vermelhos, Pedro pegou Beatriz no colo e correu para a saída.

A pressa era tanta que nem percebeu Isabela no corredor entre as mesas.

Bateu o ombro nela com força.

Isabela caiu pesadamente e atingiu a quina de uma mesa com a testa.

O sangue começou a escorrer na mesma hora.

Ela, porém, parecia não sentir dor.

Apenas ficou olhando Pedro se afastar.

Atordoada, lembrou do dia em que começaram a namorar.

Pedro tinha ficado com os olhos vermelhos de emoção, abraçando ela e repetindo:

— Isabela, não importa quantas pessoas estejam ao nosso redor. Eu só vou ter olhos para você.

Como aquilo parecia ridículo agora.

Isabela passou a mão pelo rosto e só então percebeu que estava coberta de lágrimas.

Com o apoio da parede, conseguiu se levantar devagar.

Depois, sozinha, arrastou os pés de volta ao hospital, cambaleando.

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