Capítulo 5
Ponto de Vista de Diana

— Que diabos há de errado com você?! — Selena disparou, apontando para ela como se Diana tivesse cometido uma ofensa terrível, embora tivesse sido o mais cuidadosa possível. — Você não consegue nem cortar minhas unhas direito!

O ambiente ficou em silêncio de repente, exceto pelo coração de Diana, que batia descontroladamente contra o peito.

Reginald olhou na direção delas e viu Diana sentada no chão e Selena segurando o dedo de forma dramática.

Sua expressão continuava impassível, sem revelar o que estava pensando.

Enquanto isso, Irene curvou os lábios em um leve sorriso. Seu olhar deixava tudo claro. Ela sabia muito bem que o que acabara de acontecer não tinha sido um acidente. Selena estava fazendo aquela cena de propósito.

Angela, de cinco anos, imediatamente se levantou. Seu rosto ficou cheio de preocupação ao ver Diana cair. Ela estava prestes a correr até ela quando a voz ríspida da mãe a impediu.

— Sente-se, Angela.

A voz de Irene era fria e firme, sem deixar espaço para discussão.

A menina congelou e olhou para a mãe por um instante antes de voltar a se sentar e fingir que estava brincando. Mesmo assim, seus olhos preocupados continuavam se desviando para Diana.

— Desculpe, mamãe... — Diana disse baixinho, enquanto se apressava para se levantar e abaixava a cabeça. — Eu realmente não fiz por querer.

— Não fez por querer? Você foi descuidada. Ou estava tentando me machucar de propósito? — A voz de Selena se elevou.

— Não, mamãe! Eu jamais faria uma coisa dessas! — Diana se defendeu rapidamente, engolindo em seco. — Talvez eu só esteja um pouco cansada hoje, então...

Selena a interrompeu imediatamente.

— O que exatamente você está querendo dizer? Que está cansada de fazer um trabalho que claramente é sua responsabilidade?

Antes que Diana pudesse responder, a voz de Irene veio ainda mais rápida e afiada.

— Ei, Diana! — ela chamou com sarcasmo. — Você realmente precisa saber o seu lugar. Se não nasceu em uma família rica, o mínimo que poderia fazer é aprender a se comportar.

Ela se inclinou um pouco para a frente, com a voz afiada e deliberadamente humilhante.

— Faça seu trabalho direito e pare de dar desculpas. Você está morando na casa de uma família rica, não em um galinheiro.

Diana mordeu o lábio, contendo o nó que se formava em sua garganta. Baixou os olhos, mas sentiu algo se revirar dentro do peito.

***

Diana soltou um longo suspiro, com os olhos fixos nos vastos jardins da mansão. O lugar era enorme, mas, de alguma forma, ela sentia que não conseguia respirar.

Mais cedo, tudo o que ela queria era um momento para descansar. Deitar, fechar os olhos e recuperar o fôlego.

Mas como conseguiria dormir com a cabeça tão cheia? Seus pensamentos continuavam girando sem parar.

Os insultos de Irene. O tratamento frio de Selena. E a exigência do marido, que ainda parecia uma faca cravada em seu peito.

Engravidar de outro homem.

Só de pensar nisso, seu estômago se revirava e sua garganta secava.

Diana pegou a vassoura de galhos que estava encostada na parede. Começou a varrer o pátio, não porque alguém tivesse mandado, mas porque era a única coisa que conseguia pensar em fazer para impedir que seus pensamentos saíssem do controle.

O movimento repetitivo a acalmou, pelo menos um pouco.

Pelo menos por alguns minutos.

— Diana.

A voz grave chamou seu nome, baixa, mas firme.

Diana se virou por instinto e encontrou Reginald parado a pouca distância. Ele vestia um terno bem ajustado, com as duas mãos nos bolsos, e sua expressão era tão indecifrável quanto sempre.

— Sim, Reginald? — Diana se aproximou, ainda segurando a vassoura. Ela ficou ereta diante dele, tentando parecer tranquila, embora seus joelhos estivessem um pouco bambos.

— Até quando pretende continuar desempregada?

Desempregada?

Diana baixou os olhos. Por um momento, sentiu o peito apertar.

Ela passava os dias cuidando da casa inteira. Lavava, cozinhava, limpava e cuidava de Selena. Fazia mais trabalho do que algumas das empregadas da casa.

Mas sabia que não era disso que Reginald estava falando.

Ele se referia a um emprego de verdade fora de casa, com um cargo e um salário.

— Não sei — respondeu baixinho.

Seus dedos apertaram o cabo da vassoura, como se estivesse se preparando para qualquer crítica que viesse a seguir.

— Você ainda tem seu diploma? — Reginald perguntou, com a voz tão neutra e indecifrável quanto sempre.

Diana assentiu de leve.

— Tenho.

— Então você vai substituir minha secretária. Ela está de licença-maternidade.

Diana ergueu a cabeça de repente. Olhou para Reginald, incrédula.

— Você está... falando sério? — Sua respiração ficou presa, e seus olhos se arregalaram.

Reginald não respondeu.

Apenas olhou para ela, com a expressão calma e impassível, mas não havia dúvida de que falava sério.

— Mas eu... — Diana levou a mão ao peito, sentindo o coração disparado. — Eu só tenho uma graduação de curta duração. Você realmente acha que vou conseguir?

— A empresa é minha — Reginald respondeu, sem rodeios.

A resposta curta deixou claro que não havia mais nada a discutir.

Os olhos de Diana imediatamente brilharam. Depois de passar um ano inteiro se sentindo inútil, sendo insultada e tratada como se não tivesse valor, aquela oportunidade parecia ter sido como ganhar na loteria.

— Se eu realmente puder fazer isso, então quero. Quero muito!

Reginald assentiu de leve.

— Então você começa amanhã.

***

Naquela noite, a sala de jantar da família Reinard parecia mais cheia do que de costume.

O som suave dos talheres batendo nos pratos preenchia o ambiente. Ninguém falava de verdade até Reginald pousar o copo com um leve tilintar, chamando a atenção de todos.

Reginald olhou para Selena e depois rapidamente para Diana, que estava sentada ao lado de Kyle.

Depois de colocar a xícara de café sobre a mesa, pigarreou de leve.

— Tenho algo a dizer — ele disse, com a voz calma, mas firme, o suficiente para deixar o ambiente tenso imediatamente.

A atenção de Selena se voltou para ele. O mesmo aconteceu com Irene, seus dois irmãos mais novos e as esposas deles. Por um momento, todos ficaram em silêncio, esperando.

— O que foi, Reggie? — perguntou Selena, olhando para o filho mais velho.

Reginald passou o guardanapo no canto da boca.

— A partir de amanhã, Diana vai trabalhar no escritório. Ela vai substituir minha secretária enquanto estiver de licença-maternidade.

A colher de Kyle parou no meio do caminho até sua boca.

Irene tossiu de leve, claramente pega de surpresa. Felicia olhou para Reginald com a mesma expressão de espanto.

Selena parou completamente e se endireitou na cadeira, olhando para Reginald como se ele tivesse acabado de dizer algo completamente absurdo.

O ambiente ficou tenso imediatamente.

Mas Reginald continuou calmo, com a expressão fria. Sua voz não deixava espaço para negociação.

Felicia foi a primeira a falar, com a voz baixa, mas claramente irritada.

— Reginald, você está falando sério?

Irene veio em seguida, soltando uma risada leve e indelicada.

— Hum, você quer dizer... que Diana pode trabalhar no Reinard Group? E como secretária, ainda por cima?

Selena estreitou os olhos.

— Reginald, não tome uma decisão precipitada. Há muitos candidatos com mais experiência. Além disso...

— A decisão já foi tomada — Reginald interrompeu, sem rodeios.

Selena ficou em silêncio.

Era raro alguém interrompê-la daquela maneira.

Mas aquele era Reginald.

Diana, que estava olhando para o prato e mal ousava levantar a cabeça, apertou entre os dedos a ponta da saia longa. Sentia todos os olhares sobre ela.

Mas Reginald não olhou para ela.

Sua expressão continuava fria e indecifrável.

Selena finalmente voltou o olhar para Diana.

— Tem certeza de que consegue fazer o trabalho? Não apareça lá só para fazer tudo errado.

Kyle engoliu em seco. Claramente não gostava da ideia de Diana cometer erros e fazê-lo passar vergonha diante do irmão mais velho, mas não ousou dizer nada.

Reginald finalmente se recostou na cadeira, e sua voz baixa voltou a preencher o silêncio.

— Não contrato pessoas por capricho. Se digo que ela consegue fazer o trabalho, então ela consegue.

Ninguém disse uma palavra.

Apenas o coração de Diana continuava batendo descompassado, dividido entre medo, nervosismo e um sentimento que ela mal conseguia colocar em palavras: gratidão.

Pela primeira vez, alguém a havia defendido naquela casa.

Reginald não olhou para ela em momento algum, mas aquelas palavras pareceram a proteção que ela nunca havia recebido de ninguém.

O jantar continuou, mas o ambiente havia mudado completamente.

Depois que o filho mais velho falou, ninguém ousou discutir com ele. Nem mesmo sua própria mãe.

— Você está falando sério? Vai mesmo fazer de Diana sua secretária pessoal? — Irene perguntou assim que a porta do quarto se fechou atrás deles. O jantar havia terminado, e os dois tinham voltado para o quarto.

— Temporariamente — Reginald respondeu, de forma curta. Ele caminhou até a cômoda e colocou seu relógio caro sobre ela.

Irene soltou uma risadinha.

— Mesmo que seja temporário, continua sendo ridículo. — Uma sobrancelha se ergueu em deboche. — Diana só tem uma graduação de curta duração. O que exatamente você espera dela? Sua secretária habitual tem mestrado, mas agora você vai baixar o nível por causa de Diana?

Irene balançou a cabeça com um sorriso debochado.

— Os únicos talentos dela são cozinhar, lavar pratos e limpar a casa. Trabalho de escritório? Isso está muito além da capacidade dela.

Reginald permaneceu em silêncio.

Ele não respondeu a nenhum dos insultos. Em vez disso, enquanto tirava o relógio, lançou um olhar frio para Irene através do reflexo do espelho da penteadeira.

Quando finalmente falou, sua voz era baixa e tranquila, mas as palavras atingiram com mais força do que se ele tivesse levantado a voz.

— Não meça a capacidade dos outros pelas suas próprias limitações.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App