LEWIS LUTTRELL
Os corredores da DELCOUR pareciam mais silenciosos do que o normal. Mas não era o tipo de silêncio tranquilo e produtivo que eu havia incentivado desde que assumi o comando. Era um silêncio denso, quase opressivo. Como se as paredes estivessem à espera de um colapso — não físico, mas institucional. Um colapso de confiança.
Era sutil, mas eu notava. A hesitação dos funcionários ao cruzar comigo no elevador, os cumprimentos que antes vinham com sorrisos e agora se limitavam a acenos contidos. O jeito como os sócios me olhavam nas reuniões — olhos que antes buscavam direção, agora pareciam medir distância. Não era desrespeito. Ainda não. Era cautela. Como se estivessem tentando decifrar até onde podiam ir comigo. Ou contra mim.
E no centro desse clima estava ela: Margot.
Margot sempre soube jogar. Desde o início. Quando assumi a empresa, mesmo com o fim recente do nosso relacionamento, reconheci nela uma aliada estratégica. Traçamos juntos os planos de expansão da DELCOUR,