Ponto de vista de Janice
Depois do expediente no Ken’s Salon, saí e encontrei três mulheres lindas bloqueando meu caminho. Elas sorriam e pareciam simpáticas.
— Oi. — Cumprimentaram, acenando para mim.
— Ah, Marian Lane, Amanda Doran e Lisette Nolan. O que vocês estão fazendo aqui, meninas? O salão já fechou. Voltem amanhã. — Disse Shirley.
— Não viemos fazer uma transformação, Shirley. Viemos falar com ela. — Disse a mulher que parecia ser uma enfermeira, apontando para mim.
Olhei para elas, confusa.
— Por quê, Marian? O que vocês querem com a Janice? — Perguntou Shirley.
Então o nome da enfermeira era Marian.
— Vimos a foto dela na página da Musa. Queríamos conversar com ela para ajudá-la a se manter segura de... você sabe... estupradores. — Respondeu Marian.
As palavras dela me deixaram ansiosa imediatamente.
— Não se preocupe. Ela está segura. Nós vamos cuidar dela. Kendall também confiou a segurança dela a nós, Marian. — Disse Shirley.
Para ser justa, Shirley tinha razão. Era por isso que Kendall havia conversado comigo mais cedo e me alertado para não ir a lugar nenhum com homens que eu não conhecesse aqui em Monte Campbell Town.
— Mas, Shirley, podemos conversar com ela mesmo assim? Não se preocupe. Vamos garantir que ela chegue em casa em segurança. — Disse a mulher que parecia ser massagista.
As três eram realmente lindas. Pareciam as deusas de Monte Campbell Town. Não havia uma sequer que fosse feia.
Se havia uma pessoa feia ali...
Olhei para Shirley.
Ah, deixa para lá.
— Ah, Lisette, é melhor você garantir que ela chegue em casa em segurança, ou vou raspar esse seu cabelão. — Ameaçou Shirley.
As três mulheres simplesmente caíram na risada.
— Sim, prometo. Vamos levá-la para casa. — Disse a terceira mulher.
Eu ainda não sabia quem ela era, mas imaginei que fosse Amanda. Diferentemente das outras duas, não consegui descobrir qual era sua profissão pelas roupas.
— Tudo bem, então. Vocês, deusas, podem ficar todas juntas. — Disse Shirley, balançando a cabeça. — Droga, não posso ficar perto de vocês. Perto de vocês eu pareço horrível. Vocês são lindas demais!
Todo mundo caiu na risada.
As três mulheres me convidaram para ir a uma cafeteria ali perto. Como elas conheciam Shirley, decidi acompanhá-las.
— Está bem, eu pago o café e um bolinho pra todo mundo, mas só dessa vez, certo? Da próxima, cada uma paga o seu. — Disse Marian.
Ela levantou a mão para chamar um garçom.
Fiquei um pouco sem graça de aceitar, mas, já que ela estava oferecendo, também pedi café e bolo.
Depois que fizemos os pedidos, elas finalmente foram direto ao motivo de terem me levado até ali. Marian começou.
— Eu sou a Marian, Janice. — Disse ela, estendendo a mão. — Sou enfermeira.
Apertei sua mão.
— Eu sou a Amanda e trabalho como caixa em um supermercado. — Disse a mulher seguinte, estendendo a mão.
Também apertei a mão dela.
— E eu sou a Lisette, massagista. — Disse a última mulher.
Assim como as outras, ela estendeu a mão para mim, e eu a apertei.
— Eu sou Janice Thompson. Sou nova em Monte Campbell Town. Minha tia me acolheu depois que fiquei completamente órfã, então moro com ela na Virginia Street. Comecei a trabalhar como assistente no salão há poucos dias. Onde vocês me encontraram hoje.
As três assentiram.
— Certo, Janice, é o seguinte. — Começou Marian. — Queríamos conversar com você porque não queremos que passe pelo que nós passamos nesta cidade maldita.
Um arrepio percorreu meu corpo.
— Sua foto está em uma página de rede social de Monte Campbell Town agora. Ela se chama página da Musa. — Explicou Lisette.
Meus olhos se arregalaram.
Quem havia postado minha foto? Mais importante ainda, quando tinha tirado aquela foto?
— Todas as publicações de lá são sobre mulheres bonitas que as pessoas encontram por Monte Campbell Town. — Disse Amanda. — Provavelmente alguém viu você, tirou uma foto sem que você percebesse e postou na página da Musa.
— E o que acontece agora? — Perguntei, ainda confusa.
As três trocaram olhares sérios antes de Amanda responder:
— Quase tivemos problemas por causa disso. Quase fomos estupradas.
Imediatamente, levei a mão à boca.
— Meu Deus. É sério? Agora estou com medo.
— Mas não vamos deixar isso acontecer com você, Janice. — Garantiu Lisette. — Foi por isso que viemos falar com você. Queríamos explicar o que está acontecendo e avisá-la.
— Então o que aconteceu com vocês? Eles chegaram a fazer alguma coisa? — Perguntei.
— Não, mas foi por pouco. — Respondeu Marian. — Graças a Deus, conseguimos escapar antes que alguma coisa acontecesse. Outras mulheres bonitas da cidade não tiveram a mesma sorte. É um grupo de homens, Janice, o que os torna ainda mais perigosos. Eles perseguem mulheres bonitas e sensuais porque querem fazer o que bem entendem com elas.
Fiquei arrepiada enquanto as ouvia.
— Você deve sempre voltar para casa cedo. — Aconselhou Amanda. — Não fique na rua até tarde e, sempre que possível, certifique-se de estar acompanhada.
— Nós realmente não temos escolha, Janice. — Acrescentou Marian. — Não podemos correr o risco de ficar fora até tarde, porque sabemos que podemos virar alvo. Desde o que aconteceu, temos tomado cuidado e até agora, isso tem nos mantido seguras.
— Então é por isso que Shirley não quis me deixar voltar para casa sozinha. — Murmurei. — Isso é assustador.
— Se Shirley estiver ocupada algum dia, você pode ir conosco. — Ofereceu Marian. — Eu pego Amanda e Lisette no trabalho e depois vamos todas para casa juntas. Tenho um carro, então levo todo mundo.
Como Marian era enfermeira, provavelmente ganhava mais do que as outras duas. Talvez por isso fosse a única que tinha carro.
— Se não for incômodo, ficaria feliz em ir com vocês. — Respondi timidamente.
— Claro. Você pode ir com a gente. — Disse Amanda. — Vamos buscá-la na frente do salão. A maioria dos trabalhadores daqui termina no mesmo horário, de qualquer forma. Todas saímos às seis da tarde.
— Hum, e a Marian? — Perguntei. — O horário dela não é diferente? Enfermeiras não costumam trabalhar em turnos diurnos ou noturnos?
— Agora só trabalho durante o dia. O hospital permite. — Explicou Marian. — Não quero mais trabalhar à noite. Depois que aqueles monstros quase me estupraram, pedi para ficar permanentemente no turno diurno, e o dono do hospital aprovou.
Nesse caso, não deveria haver problema. Eu poderia simplesmente ir para casa com elas sempre que Shirley não pudesse me acompanhar.
No fim daquela tarde, eu sentia como se conhecesse as três havia muito mais tempo. Era divertido estar com elas, mais do que isso, elas eram genuinamente gentis. Elas me acolheram no grupo sem hesitar. Na verdade, disseram que estavam felizes por ter alguém novo entre elas.
Estávamos prestes a sair da cafeteria quando recebi uma mensagem de Roman.
[Janice, já são seis da tarde. Onde você está? Estou preocupado porque você ainda não voltou para casa.]
Senti algo apertar meu coração quando li a mensagem.
Eu não esperava que palavras tão simples fossem me afetar tão profundamente. Roman estava em casa, esperando por mim e preocupado porque eu ainda não tinha voltado. Aquilo me tocou mais do que eu gostaria de admitir.
Pelo visto, ele também estava tentando me proteger.
Eu tinha quase certeza de que era por isso que ele havia ido ao salão mais cedo. Ele devia ter ido conversar com Kendall sobre mim.