Luciele
“Don't you go
Won't you stay with me one more day?”
Stay – Oingo Boingo
David me deixou na frente de casa com aquele sorriso doce, despreocupado, que sempre me fazia esquecer de qualquer coisa ruim no mundo.
— Se cuida, meu amor! — ele disse, com um beijo rápido na minha testa, antes de entrar no carro de aplicativo e ir embora.
Acenei, com a chave já na mão, pronta pra entrar... Mas quando girei o corpo em direção à porta, senti algo estranho.
O ar ficou mais denso, pesado. Não sei explicar… um arrepio me percorreu a espinha como se alguém estivesse me observando.
Antes que eu pudesse colocar a chave na fechadura, senti um leve arranhão no braço.
— Ai! — murmurei, instintivamente levando a mão até o local.
Foi quando, das sombras ao lado da porta, emergiu uma figura conhecida — mas que eu nunca imaginei ver ali, daquele jeito.
Cabelos ruivos flamejantes. Olhos frios e brilhantes. Um sorriso entre o desejo e a loucura.
— Olá, Luciele… — a voz era baixa, quase um sussurro, mas