Helena Narrando…
O carro estava desligado, mas eu sentia como se estivesse dentro de uma cápsula pressurizada. O silêncio aqui dentro não era silêncio de paz. Era silêncio de espera. De coisa suspensa no ar. De tudo que ainda não tinha desabado de vez, mas estava por um fio.
A sirene cortava o ar do lado de fora sem parar. Vermelho, azul, branco. As luzes piscavam nos vidros escuros. Ambulância indo, polícia vindo, gente correndo, jornalistas se acotovelando atrás das barreiras.
E eu ali.
Sentada.
Sozinha.
Com a mão apoiada no colo.
Tentando organizar uma cabeça que parecia um quarto depois de um furacão.
O cheiro de fumaça ainda estava impregnado na minha roupa. No cabelo. Na garganta. Eu inspirava e parecia que os pulmões reclamavam. Como se o corpo ainda estivesse entendendo o que tinha acabado de acontecer.
Drones explodindo no céu.
O barulho seco, metálico.
O pânico da multidão.
Gente gritando.
Vidro tremendo.
E o Lorenzo me protegendo com o próprio co