Helena Narrando…
O carro estava desligado, mas eu sentia como se estivesse dentro de uma cápsula pressurizada. O silêncio aqui dentro não era silêncio de paz. Era silêncio de espera. De coisa suspensa no ar. De tudo que ainda não tinha desabado de vez, mas estava por um fio.
A sirene cortava o ar do lado de fora sem parar. Vermelho, azul, branco. As luzes piscavam nos vidros escuros. Ambulância indo, polícia vindo, gente correndo, jornalistas se acotovelando atrás das barreiras.
E eu ali.