A barriga já não permitia disfarces. Isabel sabia disso no instante em que atravessou a porta de vidro da clínica, sentindo o peso familiar na lombar e o leve desconforto nos tornozelos após poucos minutos em pé. Quase sete meses. Tempo suficiente para o corpo mudar completamente e para o mundo se sentir no direito de opinar.
A mão repousou sobre o ventre de forma automática. A menina se mexia com frequência naquela manhã, como se reagisse ao ambiente antes mesmo que Isabel admitisse o incômodo que sentia. Aquela clínica carregava memórias demais. Não ruins — apenas delicadas. E, naquele momento da gestação, tudo parecia amplificado.
— Consulta de rotina — murmurou para si mesma, tentando manter a respiração calma.
A recepção estava cheia. Mulheres grávidas, casais, conversas baixas. Isabel caminhou até o balcão com cuidado, entregou os documentos e seguiu para a sala de espera. Escolheu uma cadeira próxima à parede, o