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Capítulo 5 Uma Cena no Salão

Harper sorriu.

— Ainda bem que os enfeites não precisam pedir sua aprovação agora.

Ethan virou o rosto, disfarçando o que poderia ter sido uma reação.

Richard não se deu ao trabalho.

— Fornecedores não costumam circular entre os convidados.

— E pagamentos não costumam desaparecer antes de eventos.

O silêncio caiu entre os três.

Richard olhou para Ethan.

— Que pagamento?

— Estou resolvendo.

— Então resolva sem criar uma cena.

Harper sentiu a raiva voltar.

— A cena não foi criada por mim.

Richard deu um passo para perto.

— Senhorita Bennett, esta noite é importante para nossa empresa. Sugiro que mantenha qualquer questão administrativa longe dos convidados.

— Sua empresa considerou manter a questão administrativa longe da minha conta bancária?

— Harper — advertiu Ethan.

Ela se voltou para ele.

— Não use esse tom comigo.

— Então pare de aumentar a voz.

— Eu não estou aumentando a voz.

Várias pessoas ao redor olharam.

Harper percebeu tarde demais.

Avery apareceu ao lado deles, mantendo um sorriso elegante para os convidados.

— Está tudo bem?

— Perfeitamente — respondeu Harper.

— Não parece — disse Richard.

— Talvez porque eu tenha uma expressão honesta.

Ethan segurou suavemente o cotovelo dela.

O toque foi discreto, mas suficiente para provocar um choque quente pelo braço de Harper.

— Vamos conversar em outro lugar.

Ela olhou para a mão dele.

— Solte.

Ethan soltou imediatamente.

O fato de ele obedecer sem discutir deveria ter acalmado Harper.

Não acalmou.

— Cinco minutos — disse ele. — Em particular.

— Você teve quase três horas.

— E usei esse tempo para garantir seu pagamento.

— Amanhã.

— É o mais rápido possível.

— Para você.

Avery lançou um olhar ao redor.

Mais pessoas observavam.

Alguns celulares já estavam levantados.

— Harper — disse Avery, gentilmente. — Podemos resolver isso no escritório.

— Não quero ir para um escritório.

Richard respirou fundo.

— Então talvez deva deixar o hotel.

As palavras cortaram mais do que Harper esperava.

Não porque fossem particularmente cruéis.

Mas porque eram familiares.

Ela conhecia aquele tom.

O tom de homens que acreditavam que dinheiro lhes dava o direito de decidir quem podia permanecer em um lugar.

Harper olhou para o salão.

Para as flores que escolhera uma por uma.

Para as luzes que passara horas ajustando.

Para cada mesa montada por sua equipe.

Aquela noite existia porque ela havia criado tudo.

E ainda assim, Richard Calloway a tratava como se fosse uma inconveniência facilmente removida.

— Não — respondeu.

Richard franziu a testa.

— Como disse?

— Eu disse não. Não vou sair.

Ethan deu um passo à frente.

— Ninguém vai expulsá-la.

Richard olhou para o filho.

— Ela está causando um constrangimento.

— Ela está cobrando um contrato.

Harper se calou.

Richard também.

Por um segundo, Ethan pareceu tão surpreso quanto os dois por ter defendido Harper.

Avery foi a primeira a recuperar o controle.

— Vamos levar esta conversa para—

— Ethan.

A voz de Sloane atravessou o grupo.

Ela se aproximou lentamente, segurando uma taça de champanhe.

— Os jornalistas estão perguntando por você.

Seu olhar passou por Harper e permaneceu um pouco mais do que o necessário.

— Parece que chegaram no momento certo.

— Não comece, Sloane — disse Ethan.

— Eu não disse nada.

— Você nunca precisa.

Sloane bebeu um gole.

— Apenas acho curioso que a decoradora esteja discutindo com o presidente da empresa no meio da inauguração. Algumas pessoas fazem qualquer coisa por publicidade.

Harper sentiu o sangue ferver.

— Algumas pessoas também vivem dela.

O olhar de Sloane endureceu.

— Eu trabalho com imagem.

— Eu trabalho com flores. Ambas murcham quando não são bem cuidadas.

Avery fechou os olhos por um segundo.

Ethan passou a mão pelo maxilar.

Richard parecia prestes a mandar retirar Harper fisicamente do hotel.

Sloane sorriu para as pessoas ao redor.

— Talvez ela esteja nervosa. Não deve ser fácil participar de um evento desse tamanho pela primeira vez.

Harper reconheceu a tentativa.

Sloane queria colocá-la em seu lugar.

Fazer com que parecesse pequena.

Temporária.

Alguém que havia entrado por engano no mundo deles.

— Tem razão — respondeu Harper. — Estou acostumada a eventos em que as pessoas pagam os fornecedores.

Uma risada escapou de alguém próximo.

Sloane perdeu o sorriso.

Ethan olhou para Harper.

Ela não soube dizer se ele estava furioso ou impressionado.

Talvez ambos.

— Isso já foi longe demais — disse Richard.

— Concordo — respondeu Harper. — Devolvam meu dinheiro e eu volto para as minhas flores.

— Seu pagamento está garantido — afirmou Ethan.

— Dizer isso de novo não faz o dinheiro aparecer.

— Criar uma cena também não.

A frase atingiu exatamente o lugar que ela tentava proteger.

Harper se aproximou dele.

— Você acha que isto é uma cena?

— Acho que está tornando uma situação temporária muito pior.

— Temporária para quem?

— Harper—

— Não. Você não sabe o que esse pagamento significa.

— Então me diga.

Os dois ficaram frente a frente.

Perto demais.

Novamente.

Harper sentiu a atenção de todos ao redor, mas o olhar de Ethan tornava difícil perceber qualquer outra pessoa.

— Não deveria precisar contar minha vida para receber pelo meu trabalho.

— Não deveria.

— Então pare de agir como se eu fosse irracional.

— Não estou dizendo que é irracional.

— Está pensando.

— Penso muitas coisas.

— Aposto que quase todas são arrogantes.

— E aposto que quase nenhuma das suas passa por um filtro antes de sair.

Harper apontou um dedo para o peito dele.

— Você é impossível.

Ethan olhou para o dedo.

— E você está me tocando.

Ela retirou a mão rapidamente.

— Foi uma acusação física.

— Isso não existe.

— Acabei de inventar.

Um flash explodiu ao lado deles.

Harper se virou.

Um fotógrafo registrava a discussão.

Depois outro.

Um grupo de jornalistas havia se aproximado, atraído pelo tumulto.

— Senhor Calloway! — gritou uma repórter. — Há algum problema com a inauguração?

Avery entrou imediatamente entre eles.

— Nenhum problema. Apenas uma conversa com uma de nossas fornecedoras.

— Uma conversa bastante intensa — comentou outro jornalista.

Harper tentou se afastar, mas Sloane falou antes:

— Ethan é muito dedicado. Gosta de acompanhar cada detalhe pessoalmente.

A sugestão na voz dela fez alguns olhares se voltarem para Harper.

Uma mulher próxima sussurrou algo ao marido.

Harper percebeu o que parecia.

Ela, de vestido vinho, discutindo a poucos centímetros de Ethan.

Ethan olhando para ela como se estivesse dividido entre estrangulá-la e fazer algo muito menos apropriado.

— Senhorita Bennett — chamou a repórter. — A Wild Bloom enfrentou algum problema com a Calloway Hotels?

Avery respondeu:

— Questões contratuais não serão discutidas esta noite.

— Eu posso responder — disse Harper.

Ethan segurou seu braço novamente.

— Não.

Ela o encarou.

— Está tentando me silenciar?

— Estou tentando impedir que faça algo do qual se arrependerá.

— Você não me conhece o bastante para saber do que me arrependo.

— Estou começando a ter uma ideia.

Harper soltou o braço.

Os flashes continuavam.

— Senhorita Bennett — insistiu a repórter. — Seu pagamento foi retido?

Richard se aproximou de Avery.

— Tire-a daqui.

Harper ouviu.

Ethan também.

O rosto dele ficou rígido.

— Ninguém vai tirá-la daqui.

Richard falou em tom baixo:

— Está permitindo que uma fornecedora comprometa esta noite.

— A empresa comprometeu a própria noite quando bloqueou o pagamento.

Harper olhou para Ethan.

Dessa vez, não havia ambiguidade.

Ele estava do lado dela.

Pelo menos naquele instante.

Aquilo a desarmou.

A raiva perdeu força por um segundo, abrindo espaço para algo perigoso.

Gratidão.

Ethan percebeu a mudança em seu rosto.

Seu olhar suavizou.

— Confie em mim até amanhã — disse, apenas para ela.

Harper quase riu.

— Não confio em você nem até o fim desta frase.

O canto da boca dele se moveu.

— Claro que não.

— Você mentiu sobre quem era.

— Eu omiti um sobrenome.

— Você me deixou dar ordens.

— Gostou bastante.

— Você também.

— Talvez.

A resposta veio baixa.

Íntima demais.

Harper sentiu o ambiente mudar novamente.

Os olhos de Ethan desceram até os lábios dela.

O ar pareceu ficar mais pesado.

Por um instante absurdo, ela se lembrou de cair nos braços dele.

Da mão em sua cintura.

Da voz dizendo seu nome.

O flash de uma câmera os trouxe de volta.

— Ethan — chamou Sloane. — Eles estão esperando uma declaração.

Ela deu um passo entre os dois e tocou o braço dele com familiaridade.

Harper não tinha direito algum de se incomodar.

Incomodou-se mesmo assim.

Sloane percebeu.

Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.

— Você deveria voltar aos convidados — disse a Harper. — Ou aos bastidores. Imagino que seja onde precisa estar.

Harper sentiu o golpe.

Antes que pudesse responder, um ruído metálico soou acima deles.

Baixo.

Quase imperceptível.

Harper olhou para o teto.

Uma das correntes que sustentavam a estrutura de iluminação tremia.

Seu coração parou.

— Esperem.

Ninguém ouviu.

A música, as vozes e os flashes abafaram a palavra.

Harper deu um passo para o centro do salão.

A estrutura balançou novamente.

A presilha metálica não era a mesma que ela ajustara. Ficava alguns metros adiante, presa a uma barra de iluminação que sustentava pequenos refletores.

Um dos cabos estava cedendo.

— Afastem-se! — gritou.

As pessoas olharam para ela, confusas.

A barra se inclinou.

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