148. COMEÇANDO A VER
Sinto que Andy esconde sua história e isso me incomoda. Não me esqueço de como Alessandro me perguntou em Valência se eu conhecia bem meu noivo, e agora percebo que não, que não sei mais do que ele permitiu, ou seja, nada. E não são um ou dois anos que estamos juntos, mas sim seis. Deveria saber tudo sobre ele.
Andy parecia buscar uma desculpa em sua mente, jogando nervosamente com a borda de seus óculos. Mas o conhecia bem demais para não notar como seus olhos evitavam os meus com desespero.
—Isso também vamos discutir no domingo, Lili. Há coisas que você não sabe e preciso explicá-las muito bem para que você entenda por que as fiz e não te disse antes. Mas isso tem que ser com calma —me diz ansiosamente. —Preciso que você me compreenda bem, não quero que não me compreendas.
Inclinei-me levemente para frente, sem desviar os olhos dele. Sua postura, pela primeira vez desde que o conheço, me pareceu evasiva e até medrosa. Não disse mais nada, era evidente que não me contaria