Aurora
Assim que atravessamos a porta do cartório, fui tomada por uma estranha sensação de calma.
Durante semanas, imaginei aquele momento dezenas de vezes.
Em algumas versões, eu estava nervosa.
Em outras, arrependida.
Também imaginei que minhas mãos fossem tremer ou que meu coração disparasse de forma descontrolada.
Mas nada daquilo aconteceu.
Era como se meu corpo tivesse entendido, antes mesmo da minha mente, que não havia motivo para fugir.
A recepcionista sorriu ao nos ver aproximar.
— Bo