A chuva caía torrencial sobre Belo Horizonte, como se o céu tivesse decidido lavar a cidade inteira naquele fim de tarde de março. Na Savassi, o movimento habitual dos bares e cafés havia se transformado em um aglomerado de pessoas correndo com guarda-chuvas virados pelo vento ou se protegendo sob marquises. O Café do Canto, um dos preferidos de Daniella Mendes, estava lotado. O aroma forte de café recém-passado misturava-se ao cheiro úmido de roupas molhadas e ao doce sutil dos bolos expostos