Mundo ficciónIniciar sesión- Qual o seu problema com Antony? – Giovanna me questionou de repente. Estávamos em meio a tão aguardada festa da uva. Ela estava radiante, finalmente feliz com Matteo e eu esperava que ele não ferrasse tudo mais uma vez. Eu não sabia por que ela estava me fazendo essa pergunta. Eu e Tony mantivemos alguma distância desde que chegamos ontem à noite. Mas todas as vezes que nos encontramos em um mesmo ambiente, não conseguíamos deixar de olhar um para o outro. Apesar de fazermos uma viagem tranquila até a vinícola, havia certa beligerância entre nós. Principalmente depois dessas fotos. Tudo bem, ele disse que era inocente, mas eu tinha que odiar alguém. Tinha também a maneira que nós terminamos tudo, as coisas que ele me disse e o que eu falei pra ele... tanta coisa.
Eu queria contar tudo pra Giovanna. Eu sabia que ela seria uma boa amiga e ouviria tudo, talvez me desse conselhos, mas a verdade é que ela mesma está passando por muitas mudanças. O casamento com Matteo, o bebê chegando, a mudança de casa e consequentemente de rotina... eu não podia jogar a minha merda em cima dela. Além disso, eu não queria que ninguém da família dele percebesse o que aconteceu entre nós. Principalmente Matteo, que talvez saiba sobre o estilo de vida dele. Se ele souber, vai deduzir que eu também experimentei ou até que eu sou adepta do tal estilo de vida e a verdade é que isso me incomoda profundamente. Assim, eu prefiro que as pessoas pensem que nunca houve nada entre nós além de implicância pura.
- O problema é que ele é um idiota – foi o melhor que eu pude fazer. Eu esperava que ela deixasse esse assunto de lado. Tony estava um pouco mais adiante e assim que eu olhei pra ele, ele olhou de volta, como se houvesse um sensor que o avisava sempre que meus olhos pousavam sobre ele.
A festa estava sendo um sucesso. Havia em torno de duas centenas de convidados, sendo que pelo menos trinta deles estavam hospedados na propriedade além de mim e dos familiares de Matteo e Giovanna.
- Mas você era louca para pegar esse contrato. – argumentou. Ah, se ela soubesse que o contrato é o menor dos meus problemas agora. Na verdade, o contrato sequer é um problema.
- Sim, por que era grande, desafiador, uma excelente experiência para a minha empresa que está apenas começando e precisava de um cliente de prestígio com a Mazza telecom. Além do mais, pagava bem e eu sabia que podia fazê-lo. Mas eu não tinha ideia do quanto era difícil trabalhar com esse... homem. Nunca nada está bom o suficiente pra ele e, às vezes, a impressão que eu tenho é que ele faz isso só para me irritar. Como se não bastasse, você ainda inventa de se casar com o irmão desse imbecil. – improvisei.
- E o que isso tem a ver?
- Tudo. Isso me obriga a ter que aturar ele fora do horário de trabalho. Quer dizer, não basta ter que ver a cara abusada dele na Mazza ou no meu escritório, eu ainda tenho que aguentá-lo sempre quando eu quero estar com você e até no seu casamento. Porra! Custava arrumar outra pessoa para entrar comigo. O gato do seu irmão por exemplo. – Isso de fato seria uma boa coisa. Eu precisava manter uma distância segura de Tony pelo simples fato de que eu não estava segura de que poderia resistir a ele.
- Antonella pediu primeiro. O que eu posso fazer?
- Eu sou a sua amiga muito antes de Antonella – Antony, aproveitou esse momento para se levantar de sua mesa e vir até nós.
- Olá, cunhadinha? – falou em cumprimento à Giovanna.
- Olá, cunhado.
- Como vai esse rapazinho aí? – Ele perguntou fazendo um gesto em direção à barriga de Gi. Ele estava me ignorando ou o quê? Antes que a minha amiga pudesse responder, eu espetei.
- Já passou pela sua cabeça que pode ser uma menina, gênio?
- Não. – ele me deu um sorriso debochado – Vai ser um menino.
- Oh! Desculpe. Esqueci que você era Deus.
- Eu sabia que você me admirava, Penny, só não sabia que era tanto assim ao ponto de me considerar uma divindade.
- Penélope Ferrara, Senhor Mazza. – corrigi-o.
- Não estamos na empresa.
- Isso significa que eu posso te chamar de idiota e você não vai rescindir meu contrato?
- Não abuse da sorte.
- Opa! Qual o problema de vocês, hein? – Por um instante eu esqueci que estávamos na presença de Giovanna – Penny? – ela questionou novamente, mas dessa vez a mim.
- Eu? É a mim que você repreende? Só por que vai entrar pra família agora vai ficar contra os amigos?
- Minha nossa! Vamos nos desarmar.
- É...Pra você ver, cunhada como a sua amiga é beligerante. Enquanto sua hostilidade ficar aqui do lado de fora da empresa, Penny, eu posso tolerar...
- Então eu vou aproveitar ao máximo, Tony – Antony se levantou e caminhou pra longe, mas eu ainda pude ver a sombra de um sorriso em seus lábios enquanto ele se afastava – Arrrrg!
- Que porra foi essa? – ela perguntou.
- Agora não Giovanna. Agora eu não “tô” podendo com isso – eu precisava sair dali. Precisava ficar sozinha. Longe de Tony, longe dos problemas e longe de toda a tentação que ele representava.







