Capítulo 2
Depois de se despedir de vovó Medeiros, Ana dirigiu de volta para casa.

Assim que entrou, ouviu sons ambíguos vindos da sala de estar.

O corpo inteiro dela ficou rígido.

Ao avançar alguns passos, viu duas pessoas abraçadas no sofá, se beijando com intensidade.

Uma delas era o noivo dela, Victor.

Ana ficou parada no lugar, sentindo a dor se espalhar pelo peito.

Larissa sorriu e perguntou:

— Fazer isso na sua casa é até emocionante, mas você não tem medo de a sua noiva ficar com raiva?

Victor puxou Larissa para os braços, com a voz preguiçosa:

— Você não imagina o quanto ela me ama. Mesmo que a gente fizesse algo ainda mais íntimo, ela não ficaria brava.

Ana sentiu como se houvesse um buraco aberto no peito, por onde um vento gelado atravessava.

Ela soltou uma risada amarga.

Porque ela o amava, ele podia machucar sem limites?

Não era que ela não soubesse sentir raiva, era apenas que não tinha coragem de ficar com raiva dele.

Mas ela também era humana. Quando se machucava, doía.

Ela se recompôs, pisou com mais força e entrou na sala.

Os dois no sofá continuaram abraçados, sem sequer se afastar ao ver ela.

Victor falou com naturalidade, como se fosse óbvio:

— A Larissa bebeu. Vai lá fazer uma sopa para cortar o efeito do álcool.

Ana respondeu, se controlando:

— Nós temos um noivado. Você ficar com outra mulher e isso se espalhar não faz bem para o Grupo Medeiros, nem dá para explicar para a vovó Medeiros e para os outros.

Victor explodiu de repente:

— Para de usar eles para me pressionar! Se não fosse por causa deles, eu nunca teria ficado noivo de você! Eu sempre esperei a Larissa voltar!

Ana sentiu o coração ser esmagado.

A dor foi tão intensa que ela levou a mão ao peito.

Victor disse, impaciente:

— Para de fingir. Você está muito bem. Vai logo fazer a sopa! Não me faça repetir pela terceira vez.

Ana riu de si mesma por dentro e se virou em direção à cozinha.

Depois que Larissa desapareceu e Victor não conseguiu encontrar ela, ele passou a beber em excesso.

Ana chegou a procurar um chef para aprender a fazer a sopa que cortava o efeito do álcool, cozinhava e entregava a ele.

Durante todo o período em que Victor bebeu, ela preparou essa sopa.

Com o tempo, a habilidade dela ficou até melhor do que a do chef.

Quando Victor expulsou Nanda, ele prometeu a Ana que nunca mais faria ela cozinhar aquela sopa.

Mas agora, mandava que ela preparasse a sopa para Larissa.

Felizmente, em poucos dias, tudo chegaria ao fim.

Ana fingiu não ouvir os sons vindos da sala, preparou a sopa rapidamente e estava prestes a levá-la para fora.

Então ouviu a voz de Larissa atrás dela:

— Você acha mesmo que eu beberia algo que você preparou?

Ana se virou e viu Larissa com uma expressão provocadora.

Antes que Ana dissesse qualquer coisa, Larissa pegou a sopa e jogou tudo sobre o próprio corpo.

A tigela caiu no chão e se espatifou.

Em seguida, Larissa gritou, com o rosto tomado pela dor.

No instante seguinte, Victor correu para a cozinha:

— O que aconteceu?

Ao ver a sopa espalhada no corpo de Larissa e os cacos no chão, ele nem pensou duas vezes antes de gritar:

— Ana, se você não queria cozinhar, tudo bem! Mas por que fez isso só para jogar a sopa na Larissa? Eu nunca imaginei que você fosse uma mulher tão cruel!

Sem olhar para trás, ele ajudou Larissa a sair para trocar de roupa.

Larissa disse, num tom suave:

— Victor, a Ana é sua noiva. É normal que ela não goste de mim. Não fica bravo.

Victor ficou ainda mais furioso:

— Desde o dia em que ficamos noivos, a Ana sabia que quem eu amo é você. Que direito ela tem de não gostar de você?

Ana ficou olhando para a cozinha em completo caos, ouvindo os dois subirem as escadas.

Mas o pensamento que surgiu na mente dela foi apenas um: Vovó Medeiros estava enganada, o coração de Victor nunca teve lugar para ela.

No primeiro dia em que Larissa voltou, ela já deveria ter tido bom senso e ido embora; não deveria ter ficado ali despertando o desprezo dele.

Ainda bem que não era tarde demais para tomar uma decisão.

Depois de comemorar o aniversário de vovó Medeiros, ela deixaria Sol Nascente, e nunca mais voltaria.
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