O portão de ferro cinzento do complexo penitenciário feminino abriu-se com um estalo seco e metálico, cortando a neblina gelada que pairava sobre a periferia industrial da Grande São Paulo naquela manhã cinzenta. O som do travessão pesando contra o batente soou como o martelo de um tribunal dando o golpe final em uma sentença invisível.
Daquele portal pesado surgiu Camila.
Vestia um casaco de lã escura já puído nas barras e desbotado pelos anos de uso, uma calça jeans simples e sapatos de sola