a tentação tem meu sobrenome

Evangeline

Entro em casa e coloco minha bolsa no sofá.

Vicente diz que Danilo está me esperando no escritório.

Subo as escadas.

A porta do escritório está aberta.

Danilo bebe um copo de whisky e, assim que me vê, me olha com raiva.

— O que você tem na cabeça? Fez isso para chamar atenção?

— O quê?

Pergunto sem saber do que diabos ele está falando.

— O que foi fazer na favela?

— Você mandou alguém me vigiar?

Questiono com indignação.

— Não mude de assunto. O que foi fazer em um lugar que só tem bandidos?

Reviro os olhos.

— Não sabia que era tão preconceituoso. A comunidade não tem só bandidos, seu imbecil... Lá também moram pessoas honestas que trabalham muito para sustentar a família.

Ele ri.

— Eva, pare de fingir. Eu sei que só foi para lá para chamar a minha atenção.

Sorrio sem um pingo de humor.

— Eu sou assistente social do CRAS. Faço visitas domiciliares regularmente. É o meu trabalho.

Danilo fica surpreso e permanece mudo por alguns segundos.

— Eu não sabia...

— É claro que você não sabia. Nunca tentou me conhecer antes de me julgar. Sei que acha que sou uma patricinha fútil que só pensa em bater perna no shopping.

— Você não precisa continuar trabalhando... É melhor deixar a vaga para uma pessoa que precise do salário.

— Eu não nasci para ser esposa-troféu. Eu gosto de trabalhar.

Danilo solta uma risada.

— Você não me engana. Sei que só se importa com dinheiro.

Me aproximo.

— Você é um idiota... Eu amo ser assistente social. Nem pense em usar a sua influência para atrapalhar o meu trabalho. Se eu perder o meu emprego, eu faço da sua vida um inferno.

— A minha vida já é um inferno...

— Ela pode ficar pior ainda.

Digo, colando o meu corpo no dele.

Ele solta um suspiro.

— Eva, não brigue comigo...

— Eu só estou me defendendo, marido.

— Ok, pode continuar no seu emprego, mas, a partir de amanhã, dois seguranças irão te acompanhar.

— Eu aceito.

— Não foi uma sugestão, foi uma ordem.

Coloco minha boca perto do ouvido dele.

— Você não manda em mim. Sou sua esposa e não sua propriedade.

Digo e me afasto.

— Eu vou tomar um banho. Quer vir também?

— Não.

— Que pena... O banho vai ser tão gostoso. Vou passar o sabonete nas minhas pernas, nos seios, no meu pescoço... Na bunda. Tem certeza de que não quer me ajudar?

Os olhos dele escurecem de desejo.

— Vá tomar seu banho. Eu ainda tenho que trabalhar.

Sorrio.

— Ok, estou indo. A porta do meu quarto vai estar aberta.

Digo e saio.

Volto para o meu quarto.

Retiro a minha roupa e entro no banheiro.

Ligo o chuveiro.

Pego o sabonete líquido.

E vou passando-o em meu corpo devagar.

Imagino a mão de Danilo em minha intimidade, dando palmadas e tocando meu clitóris...

— Ah... Danilo... Que delícia, meu amor.

Gemo e me toco.

— Não para... Eu preciso do seu toque... Ah... Está muito gostoso, marido... Hum... Ah... Ah...

Acelero os movimentos.

Minha mente me faz imaginar a voz sedutora de Danilo no meu ouvido.

— Está gostando, safada?

— Sim, está muito gostoso... Hum... Ah... Suas mãos são mágicas. Hum... Delícia.

— Diga que sou seu homem. Diga.

— Você é meu homem. Meu corpo é seu... Eu... Te amo... Ah...

Ele se abaixa e gruda a boca na minha intimidade.

— Seu gosto é muito bom.

— Ah, marido... Por favor, não para... Ah... Eu vou gozar... Hum... Ah...

Reviro os olhos de prazer.

E, minutos depois, gozo em meus dedos.

Abro os olhos e me vejo sozinha no banheiro.

Será que algum dia ele vai me tocar da forma que imaginei?

Termino o banho e me enrolo na toalha.

Visto um pijama confortável.

Me deito na cama.

Danilo é um idiota.

Queria arrancá-lo do meu coração.

— Senhora, o seu celular.

Juliana, uma das empregadas, b**e na minha porta.

Levanto e abro.

— Obrigada, Juliana.

— De nada, senhora.

Diz e se afasta.

Adriano Torres me mandou uma mensagem.

"Eva, estou com saudades. Podemos nos encontrar naquele restaurante?"

Adriano é amigo de Danilo e meu também.

"Claro, amigo. Na hora do almoço eu vou ao seu encontro."

"Ok. Estarei te esperando."

Adriano é um homem bonito e gentil. Queria ser apaixonada por ele. A minha vida seria tão mais fácil.

Contudo, só o vejo como o irmão mais velho que nunca tive.

---

Danilo

Essa mulher vai acabar me enlouquecendo.

Ao sair do escritório, escuto gemidos vindos do quarto dela.

Será que ela está com alguém?

Logo descarto essa possibilidade ao escutar meu nome.

Ela está fantasiando comigo!

Meu corpo começa a reagir...

Porra, eu não posso ficar excitado por uma mulher que não seja a minha ruivinha.

Vou para a sala e entro no banheiro de visitas.

Molho o rosto.

— Para, Danilo. Você já tem dona...

Aqueles seios pequenos na minha boca...

Fico babando só de pensar.

Porra... Eu preciso ficar longe de Evangeline.

Saio do banheiro, vou para a garagem, entro em um carro e dirijo para longe.

Eu fui um idiota com a Eva.

Fiquei surpreso ao saber do trabalho dela.

O jeito que ela falava da profissão me deixou orgulhoso.

Será que eu estava errado sobre a minha esposa?

Quando chego ao hotel, vou para a suíte de Megan.

Ela está se arrumando em frente ao espelho.

— Meu amor, estava morrendo de saudades. O que acha de a gente passear no shopping?

Não deixo ela me tocar.

— Danilo, o que diabos deu em você?

— Nada...

— Então me dê um beijo bem gostoso.

Diz, colando a boca na minha.

A empurro.

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