418. Ela estava abrindo mão
Lucas Park
Não pude deixar de sorrir.
— Pelo menos essa culpa — sorri, apontando para as pessoas que atravessavam o imenso jardim com flores, caixas e castiçais — eu não carrego. Mas posso falar com Leslie…
— Está adorável — disse ela.
O sorriso que se abriu em seu rosto foi tão amplo e sincero que, naquele instante, eu quis chorar. E não, não venha com a falácia de que um homem deve engolir tudo em silêncio. Já passei desse ponto há muito tempo. Senti a garganta fechar e os olhos arderem — e, pela primeira vez em muito, muito tempo, aquilo não era dor.
— Ainda tenho todos os seus diários guardados, princesa — disse a voz grave, paternal e absolutamente inconveniente, sentando-se ao lado dela — claro que eu faria essa festa exatamente como você sonhou a vida toda.
Jullian segurava sua xícara de café em uma mão e, na outra, um copo plástico fechado, com aquele canudo grosso que se dobrava em um pequeno loop. Reconheci na hora. Era o mesmo tipo que usávamos quando crianças. Meu rosto se