416. Ele tomou a decisão por mim
Gabrielle Goldman
Retirei a mão de forma instintiva, puxando-a bruscamente, como se o toque de seus lábios tivesse me queimado. Não houve cálculo, não houve intenção. Foi memória. Foi reflexo. Foi meu corpo lembrando do que minha consciência tentava desesperadamente esquecer.
Eu estava fugindo de Gadreel. E não dele. Eu nunca fugiria dele.
— Me perdoe — pedi, num impulso desesperado, lançando-me em sua direção e segurando suas mãos entre as minhas, como se temesse perdê-lo naquele exato segundo — eu não quis fazer isso.
Minhas mãos tremiam ao redor das dele, e meu peito doía como se tivesse acabado de cometer um crime irreparável. Porque, mesmo sem querer, eu tinha deixado escapar uma verdade que ainda não estava pronta para encarar: havia marcas em mim que nem o amor de Lucas conseguia apagar.
— Mas talvez você queira — tornou ele, sustentando meu olhar — quando ouvir o que tenho para dizer.
Eu pude sentir o nervosismo antes mesmo de compreendê-lo racion